11 de outubro de 2013

SERÁ QUE O ESPAÇO ESCOLAR VEM SENDO RECONHECIDO COMO O VERDADEIRO LUGAR DE ATUAÇÃO DOS LICENCIANDOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA?

Autor(a): Nathália Almeida

          Nos últimos meses, esta é a pergunta que mais tem me incomodado a respeito da nossa formação. Por estar no final desta graduação, ao longo destes anos tenho me deparado com alunos do curso de licenciatura que buscam estágios nos mais diversos campos que nos é possibilitado atuar, porém pouco se houve falar de alunos que procurem conhecer o universo escolar, ou seja, a educação básica, a não ser que se trate da disciplina de Prática de Ensino, obrigatória no nosso currículo. Poderia haver uma relação direta deste comportamento dos alunos com as disciplinas oferecidas na grade obrigatória e a forma como elas estão sendo conduzidas?
          Analisando as ementas, objetivos destas disciplinas, pouquíssimas são as que se propõe a tratar do assunto escola. Na mesma proporção aparecem os nossos professores que, mesmo estando ministrando suas aulas para futuros professores, não incentivam os debates sobre esta temática. Sugestões de atividades, estímulo à criatividade na hora de planejar aulas e como lidar com situações adversas, são bons exemplos da gama de assuntos que poderiam ser discutidos em nossas aulas na faculdade. Não falo aqui de um “manual prático para ser um bom professor” e sim de pensar a licenciatura como espaço de formação onde seus graduandos estão se preparando (ou deveriam estar) para atuar na educação básica prioritariamente. 
          Muitos são os alunos do curso de Licenciatura em Educação Física que, após concluírem seu curso, ingressam na Graduação, com a finalidade de ampliar seu campo de trabalho. Talvez seja o pouco espaço para a problematização do universo escolar e das responsabilidades como educador que este licenciando assumirá depois de formado, que podem estar contribuindo para o fortalecimento desta mentalidade em nosso meio acadêmico.
          Podemos concluir então que a escola não vem ocupando o lugar de destaque que deveria em nosso curso, na mentalidade da maioria de nossos professores e cada vez menos nas prioridades dos licenciandos. Mas para quem está na licenciatura como verdadeira opção, resta “arregaçar as mangas” e, assim como em qualquer outra área de atuação profissional, se qualificar cada vez mais e melhor, procurando unir teoria e prática, aproveitando ao máximo os espaços da universidade para a discussão, almejando formar um resultado positivo destas forças somadas: ser mais que um bom profissional, um bom educador!

3 comentários:

  1. Realmente eu concordo que a escola não ocupa lugar de destaque.Pois só temos contato no estágio.A não ser, conseguir entrar em um projeto ligado a escola.O que são poucos.Porque na escola passamos a ver e sentir o que é ser professor.O medo que temos depois de formado. A pouca experiência.Tem alunos que fazem licenciatura mais seu foco não é escola ,mais academia.Falta oportunidades de vivência em escolas.

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  2. Muito legal a iniciativa do texto, Nathália.
    Não acredito que nenhum curso possa formar totalmente qualquer profissional (de qualquer área que seja), se é que algum dia, algum profissional possa vir a estar completamente formado, não sendo exposto a nenhuma situação inovadora que exija ações e posicionamentos inéditos em sua carreira, porém, me remetendo à minha formação na UFRJ, relacionada com a prática que adquiri em escolas nesses 4 anos de curso, verifico que minha formação deixou muito a desejar, mais do que o esperado, à não ser pelos espaços de formação “alternativos”, os estudos por fora, palestras e/ou cursos e claro os estágios, como o PIBID.
    Sempre tentei buscar discussões que perpassassem a área escolar, porém assumo que não é fácil, creio que nosso curso necessita de uma mudança grande no currículo, privilegiando essa área, que por mais que pareça estranho, é uma das que tem menor incidência. O aluno da Licenciatura tem que se formar PROFESSOR! Para isso, acredito que o contato com a escola deve ser iniciado anteriormente em nossa formação, assim como as abordagens da disciplina e ofertas de estágios!
    Por isso acredito no potencial desse espaço para discussão dessa área tão pouco explorada por nós, futuros Educadores!

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  3. Parabens Nathália,
    Em tempos de discussão acalorada pela unificação, esta reflexão nos alerta para o espaço que a tematização da escola tem em nosso currículo. No curso de licenciatura, que forma exclusivamente para atuação nas instituições de ensino básico, as disciplinas acabam passando longe na discussão efetiva sobre o sistema educacional. Infelizmente, é comum um aluno de licenciatura de primeiro período ingressar em uma academia de musculação e construir sua identidade como "projeto de personal" ou como um estagiário "1,99". Portanto, afirmo: se a EEFD não fomentar a criação de espaços focados no pensamento e desenvolvimento de práticas na escola o futuro mostrará um distanciamento ainda maior do licenciando com a Educação Física escolar.
    abraços e obrigado Nathália pela dedicação

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