Culpa da Greve!?
Autor: Prof. Esp. Leandro Martins Costa (SEEDUC/SME - RJ)
Um dos
principais argumentos dos sujeitos contrários à greve, reside no prejuízo que
esta traz para o estudante. Aí eu pergunto: qual a escala de grandeza utilizada
para a elaboração deste conceito “prejuízo”? Sim, é necessário saber qual a
escala de grandeza para medir este prejuízo. Pois é recorrente a menção dos
concursos que a 3ª série irá prestar para criticar o período de greve. Fraco o
argumento! Fraco porque o estado não respeita a grade com 30 tempos semanais,
porque faltam professores, o que já coloca os nossos estudantes em desvantagem
em relação a outras redes, como a privada, por exemplo. A culpa é da greve?
Fraco porque muitas escolas não possuem professores das mais diversas áreas, o
que aumenta ainda mais a desvantagem dos nossos estudantes para prestar o ENEM
e os vestibulares. A culpa é da greve? Fraco porque historicamente os
estudantes foram sendo aprovados covardemente para que as escolas que vocês
estudaram ganhassem bônus salariais. A culpa é da grave? Fraco porque quase 50
professores pedem exoneração (demissão) por mês da rede estadual em função das
péssimas condições de trabalho. A culpa é da greve?
E para não me
estender muito, este argumento se torna ainda mais fraco, quando na calada do
recesso do meio deste ano (2013), o secretário estadual de educação, Wilson
Risolia, que se diz o defensor da educação, encaminhou ao Conselho Estadual de
Educação (CEE/RJ), uma proposta para reduzir 20% a carga horária das escolas
estaduais, fazendo com que a semana letiva passasse a ter 4 dias, e que 1 dia
fosse feito em EaD (educação à distância). Isso mesmo: EaD? São muitas as
incoerências desta proposta, mas vou expor talvez as mais visíveis: as nossas
escolas têm laboratórios de informática e bibliotecas para que possamos ter 1
dia de aula em EAD? Eu respondo: NÃO! A justificativa dada pelo secretário de
educação (não podemos esquecer que este é o grande defensor da educação
pública) com a cara mais cínica, é que essa medida supre a carência de
professores. Carência de professores se supre com boas condições de trabalho
para que o professor não seja obrigado a pedir exoneração. Realmente o
secretário de educação está mesmo preocupado com a qualidade do ensino nas
escolas públicas estaduais.
Ah, este mesmo
sindicato que convoca a greve para lutarmos por educação pública de qualidade,
criminalizado pelo Estado, foi quem barrou no CEE/RJ, no dia 23 de julho deste
ano, este verdadeiro prejuízo (20% em EaD), com a modesta participação deste
grevista que vos fala. Vale registrar que eu estava (ou deveria estar) de
férias neste dia!
Um forte abraço!

