7 de maio de 2013

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NOTURNA: A AULA COMO FONTE DE EXPERIMENTAÇÃO E APRENDIZAGEM
Autor: Vinícius Gama

É com grande prazer que faço a primeira publicação neste espaço. Espaço este de ideias, debates e relatos que poderão contribuir para ascensão da Educação Física escolar. Hoje venho relatar minha experiência no Ensino Básico junto a este projeto, que contribuiu de maneira extremamente efetiva, para meu crescimento como futuro professor.
Começo este relato dizendo o quão difícil é lidar com pessoas. Pessoas têm diferentes ideais, visões, maneiras de agir e reagir, além de ter livre arbítrio. Quando pessoas com tantas diferenças estão concentradas em um único lugar, o trabalho se torna bem mais difícil. Mas que trabalho é este? Vários. Um professor não está em sala de aula simplesmente para ensinar determinados conteúdos, mas sim, ensinar a ser cidadão, colocando valores acima de qualquer conhecimento científico. E isso gera discussões. Afinal, quem deve educar? A escola ou a família? Mesmo sendo prevista em lei que a educação deve vir de ambos os lados, muitos problemas sociais são devidos a questionamentos como este, que não é bem claro para muitas pessoas (professores e familiares). E isso, consequentemente, torna o trabalho na escola mais difícil. E quando isso se soma à falta de interesse dos alunos de estar na escola, a educação em geral se torna um desastre. Digo isso com propriedade depois de vivenciar o ensino noturno de uma escola no Caju. Lá o ensino era regular, mas as idades numa mesma sala eram das mais variadas. Por isso ficava nítido o valor que cada aluno dava à escola, e os de idade mais avançada davam muito mais. Como a maioria estava em sua idade correta na série, a porcentagem de alunos desinteressados era bem maior. Acabava que o objetivo do projeto, que é buscar a autonomia do aluno, perdia espaço para o simples ato de buscar o interesse, sempre. Mas, mesmo neste amargo relato, coisas boas também aconteceram, como o desabafar de uma aluna dizendo: “Vocês salvaram minha vida.”, depois de uma visita ao Centro de Tradições Nordestinas, como parte da avaliação de um bimestre com o conteúdo dança. Nesse local, os alunos tinham que dançar forró com alguém desconhecido e fazer uma entrevista com tal pessoa. A aceitação da turma (dos alunos presentes) foi quase que unânime, por ter sido divertido e esclarecedor naquilo que estavam estudando. Mais marcante do que esse desabafo da aluna, foi a resposta do professor da turma, que disse: “Nós não salvamos sua vida, você salvou a sua quando se deixou experimentar.”, o que mostra que o aprendizado só acontece quando se está aberto para isso. Isso tudo não seria tão marcante se eu não tivesse visto a resistência dessa mesma aluna em fazer as primeiras aulas práticas de dança, talvez por sua timidez ou mesmo a sua religião. Na escola atual, no Méier, a realidade, em comparação com a escola do Caju, é bem diferente. Mas como ainda estamos trilhando um caminho desconhecido, prefiro não tirar conclusões agora. Apenas adianto que estamos utilizando uma metodologia diferente da que foi usada na escola do Caju, e eu estou bem otimista com o resultado. Por enquanto é trabalhar e aguardar. 
Termino este relato agradecendo a oportunidade de fazer parte deste projeto e poder crescer mais e mais. A incerteza do que é a Educação Física faz eu me apaixonar cada vez mais por esta disciplina que é adorada nas primeiras séries e odiada nas últimas. E, mesmo assim, ainda mais adorada do que muitas outras (arrisco a dizer do que todas as outras). Espero poder contribuir cada vez mais para a nossa educação.