19 de setembro de 2013

FOTO COMENTADA

Autor(a): Caroline do Carmo






























“ Jabuti sabe ler, não sabe escrever
Trepa no pau e não sabe descer
Lê, lê, lê, lê, lê, lê...”


    Esta foto foi tirada na aula de Dança Folclórica sobre a manifestação cultural do Cacuriá, com a turma do 1º ano do Colégio Estadual Barão de Macaúbas. Ela retrata um pouco do que os alunos conheceram, aprenderam e vivenciaram sobre a dança, já que a maioria nunca tinha ouvido falar sobre a cultura Maranhense. Aqui, eles aprenderam sobre a sua história, os instrumentos utilizados, as vestimentas, os grupos mais conhecidos, as músicas e finalmente como a mesma é dançada, sendo este, o exato momento em que eles estavam dançando e cantando a música do “Jabuti de Dona Tetê”, grupo mais conhecido na manifestação cultural do Maranhão. A aula em si foi muito boa e todos os alunos, especialmente nesta turma participaram. No início, todos ficaram com muita vergonha, principalmente as meninas, sendo que não queriam participar, porém com o passar das músicas elas foram se desinibindo. Esta aula foi a segunda aula prática de dança que fizemos até o momento, sendo que a primeira foi em relação a manifestação cultural do Funk. A sua prática foi diferenciada, pois os alunos tinham como tarefa montar uma coreografia sobre alguns tipos de Funk, porém nesta aula as meninas não ficaram tão inibidas quanto na aula de Cacuriá, sendo algo curioso. Então, queria deixar algumas questões, isso ocorreu por ser uma manifestação que elas não conheciam? Que não possuem uma vivência no seu dia a dia? E qual a importância de você trazer ao aluno manifestações culturais diferenciadas, como o Cacuriá, o Funk, o Samba, o Jongo, o Mineiro-pau?

3 comentários:

  1. É interessante ver como outras culturas contagiam. Pelo próprio texto, podemos ver uma realidade que, provavelmente, aconteça em todas as escolas, que é a vergonha do experimentar, do conhecer algo diferente. E em certo momento essa vergonha é deixada de lado pelo simples ato de participar. Acho que falta algum trabalho de base que os motivem a terem menos vergonha. Sinceramente não sei dizer se essa tarefa é exclusiva da Educação Física, mas, de fato, trazer outras culturas se mostra importantíssima e deveria ser utilizada essa metodologia em outras disciplinas também.

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  2. Carol,
    O conjunto (texto e comentário) está excelente, com destaque para as questões provocadoras. Acredito que estes espaços criados pela disciplina Educação Física podem contribuir para o questionamento do tipo de conhecimento que a escola tematiza. O que é marginal? O que fica na margem, excluído e só pode aparecer em ocasiões específicas. A escola deve refletir sobre o que tem ficado na sua margem, ou seja, ignorado e ofuscado pelo conhecimento universal dominante, na maioria das vezes, branco, rico, erudito e clássico.
    abraços e parabens Carol (Bolsista fundadora do PIBID/Educação Física (UFRJ)

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  3. Excelente Foto e Texto, Carol! Fico muito feliz em poder participar desse momento tão rico.
    Quanto às suas considerações atrevo-me a dizer que trabalhar com diferentes manifestações culturais e conteúdos, que sócio-historicamente encontram-se à margem nas escolas(corroborando com as palavras do Renato), pelo menos em minha trajetória docente, sempre trouxeram excelentes repercussões. Esses são conteúdos que nos trazem exatamente essa discussão, a qual norteou um de nossos objetivos, que foi entender a diferença entre cultura erudita, cultura popular e cultura de massa.
    Além desses objetivos ainda conseguimos contemplar os demais propostos pra aula, justificando a importância do trabalho com conteúdos que fujam do senso comum difundido na Educação Física (e por que não em todo o meio escolar?):

    • Analisar criticamente a movimentação do Cacuriá, comparando-as à algum gesto corporal do conhecimento popular;
    • Vivenciar as movimentações do Cacuriá, analisando e comparando a forma de dançar da mulher e do homem;
    • Debater e discutir em torno da pauta central, preconceito de gênero, visando desconstruir o entendimento negativo do homem no universo da dança.

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