26 de setembro de 2013

Culpa da Greve!?
Autor: Prof. Esp. Leandro Martins Costa (SEEDUC/SME - RJ)

Um dos principais argumentos dos sujeitos contrários à greve, reside no prejuízo que esta traz para o estudante. Aí eu pergunto: qual a escala de grandeza utilizada para a elaboração deste conceito “prejuízo”? Sim, é necessário saber qual a escala de grandeza para medir este prejuízo. Pois é recorrente a menção dos concursos que a 3ª série irá prestar para criticar o período de greve. Fraco o argumento! Fraco porque o estado não respeita a grade com 30 tempos semanais, porque faltam professores, o que já coloca os nossos estudantes em desvantagem em relação a outras redes, como a privada, por exemplo. A culpa é da greve? Fraco porque muitas escolas não possuem professores das mais diversas áreas, o que aumenta ainda mais a desvantagem dos nossos estudantes para prestar o ENEM e os vestibulares. A culpa é da greve? Fraco porque historicamente os estudantes foram sendo aprovados covardemente para que as escolas que vocês estudaram ganhassem bônus salariais. A culpa é da grave? Fraco porque quase 50 professores pedem exoneração (demissão) por mês da rede estadual em função das péssimas condições de trabalho. A culpa é da greve?
E para não me estender muito, este argumento se torna ainda mais fraco, quando na calada do recesso do meio deste ano (2013), o secretário estadual de educação, Wilson Risolia, que se diz o defensor da educação, encaminhou ao Conselho Estadual de Educação (CEE/RJ), uma proposta para reduzir 20% a carga horária das escolas estaduais, fazendo com que a semana letiva passasse a ter 4 dias, e que 1 dia fosse feito em EaD (educação à distância). Isso mesmo: EaD? São muitas as incoerências desta proposta, mas vou expor talvez as mais visíveis: as nossas escolas têm laboratórios de informática e bibliotecas para que possamos ter 1 dia de aula em EAD? Eu respondo: NÃO! A justificativa dada pelo secretário de educação (não podemos esquecer que este é o grande defensor da educação pública) com a cara mais cínica, é que essa medida supre a carência de professores. Carência de professores se supre com boas condições de trabalho para que o professor não seja obrigado a pedir exoneração. Realmente o secretário de educação está mesmo preocupado com a qualidade do ensino nas escolas públicas estaduais.
Ah, este mesmo sindicato que convoca a greve para lutarmos por educação pública de qualidade, criminalizado pelo Estado, foi quem barrou no CEE/RJ, no dia 23 de julho deste ano, este verdadeiro prejuízo (20% em EaD), com a modesta participação deste grevista que vos fala. Vale registrar que eu estava (ou deveria estar) de férias neste dia!

Um forte abraço!


4 comentários:

  1. Primeiramente, gostaria de te agradecer pela disposição em defender a educação pública e a profissão docente. Estamos em um cenário claro de construção de uma máxima: "escola pública é para pobre". Com este pano de fundo que surgem verdadeiros ataques a educação pública, onde a classe média tem migrado para as escolas particulares (reguladas pelo mercado e promotoras de desigualdades). É necessário a defesa da educação pública para todos, considerando que ela deve atender à todos e que políticas de desvalorização do ensino privado devem ser implementadas imediatamente, como a radicalização da políticas de cotas. Precisamos esmagar os grandes mercadores do ensino privado. Só nesta conjuntura que veremos a miserável classe média lutar pela educação. Fico por aqui, aguardando propostas para o debate. Renato Sarti

    ResponderExcluir
  2. Importante contribuição, em defesa da Educação pública, gratuita e de qualidade. E sim, socialmente referenciada, na classe trabalhadora. A Educação pública tem fundamental papel de auxiliar na manutenção das coisas como estão, educando para o conformismo. Mas mesmo assim é um espaço onde é possível travar a batalha de ideias, e assim nós faremos, a cada aula, a cada reunião com a direção ou com os pais.

    Fazendo uma breve análise de conjuntura, notamos que depois da virada conjuntural caracterizada como Jornadas de Junho, vimos a consciência coletiva dar um salto, com muitos atos e mobilizações, com limites e problemas, mas com movimento e vitórias. A realidade tem se tornado cada vez mais didática, como disse Mauro Iasi e em outubro agora é possível notar os desdobramentos desse processo, como por exemplo a greve dos profissionais da Educação do Rio de Janeiro, categoria que à nível municipal não se mobilizava a cerca de 19 anos!

    Esta provado que é somente através da luta que conquistaremos vitória, e que a repressão não é contra o "vandalismo", e contra tudo e todos que questionarem a "ordem"! Vândalo é o Estado!

    Todo apoio a greve dos profissionais da Educação do Rio de Janeiro!
    Contra a criminalização dos movimentos sociais
    "Fora Cabral, Vá com Paes, Dilma vez!"

    ResponderExcluir
  3. Tema altamente relevante, sobretudo em um programa que se pretende trabalhar a questão da docência. A luta em defesa da educação pública, gratuita e socialmente referenciada é sem quaisquer dúvidas um dos pontos altos do programa da classe trabalhadora. Nesse sentido, todo o contexto que vivemos, a greve histórica da rede municipal do Rio de Janeiro, além, é claro das lutas de outras redes como Niterói, a Rede Estadual, e afins, teve grande influência em um sentido positivo das manifestações de Junho e Julho, onde após quase 20 anos sem grandes movimentos, vemos uma população que volta a acreditar, ainda que de modo pulverizado, heterônomo, individual, que a luta pode sim trazer vitórias.
    Isso se estende para os professores que já vinham em luta, e alavancam as suas pautas nesse momento realizando essas greves maravilhosas que estamos vendo. Todavia, como vimos em Junho e Julho, Cabral e Paes utilizam-se de todos os meios, desde as ameaças financeiras, até as agressões físicas do braço armado do Estado, a PM, para coibir e silenciar os lutadores. Contudo, ao invés de as mobilizações arrefecerem, vemo-las aumentar significativamente, inclusive com grande participação popular. A greve continua, assim como a luta!!
    Por isso, estamos sempre ao lados dXs educadorXs, de toda a classe trabalhadora!!! Contra o estado de exceção implementado por Cabral e Paes, com todo o apoio da Dilma!

    ResponderExcluir
  4. Segue o Comentário da Monitora Julia Leite

    Acho que em poucas palavras o Professor Leandro deu conta de sanar muitos “mitos” que são contados na tentativa de deslegitimar e criminalizar o movimento grevista.
    A verdade é que há anos a nossa educação vem sendo sucateada das mais diversas formas e que há quase 20 anos o município do Rio não se mobilizava desta maneira.
    O que temos visto nas ruas hoje não está separado das manifestações que vimos em Junho,
    A população vem dando resposta aos golpes que vem sofrendo do atual governo de Paes e Cabral. Vale lembrar que os professores do Município do Rio, haviam saído da greve por terem tido uma negociação com o governo PAES, e sofreram um duro golpe com relação a uma de suas pautas mais importantes que é sobre o plano de carreira, e após essa ação, em assembléia deliberaram a volta à greve. O que nos mostra que os professores não vão mais aceitar as migalhas de um governo que trata a educação com total descaso.
    Um governo que usa a polícia para reprimir de todas as formas a população, polícia essa que deverei estar a serviço da mesma.
    Governo que se coloca como capacho privatista, e com isso corta e desvia a verba pública pra saúde , educação , segurança.
    Apoio total a greve dos professores do Rio de Janeiro !
    Fora Cabral, Paes, Costin e Risolia !

    ResponderExcluir